Respeito dos Filhos – Uma Grande Conquista

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Respeito dos filhos! Este é um dos grandes sonhos que todos os pais acalentam em seu peito. O grande desafio é: “Como é mesmo que se consegue o respeito desta nova geração?” No passado, imaginava-se que se adquiria o respeito por meio da força, da imposição, do medo, da violência. O tempo passou… hoje pulamos para o outro extremo. O fato é que o equilíbrio tão necessário para esta conquista está perdido entre o passado e o presente.

O grande desafio é que respeito é o tipo de coisa que não se impõe. Pelo menos, não nesta geração do século XXI. Respeito se conquista. Se formos ao dicionário Houaiss para buscar a definição que seja “respeitar” veremos as seguintes palavras: honrar, reconhecer, acatar, considerar, preferir a alguém em seu próprio lugar, submissão. É evidente que quando faltam estas características em qualquer relacionamento a vida em família fica extremamente maculada.

Algumas das principais maneiras de ajudar nossos filhos sobre o respeito é através de algumas atitudes nossas, tais como estabelecer limites protetores a eles. É preciso compreender que “fronteiras nítidas estabelecem um funcionamento adequado da família. (…) Nas famílias com fronteiras difusas, as mensagens entre pais e filhos são falhas e confusas, havendo dificuldade de diferenciação dos membros. Os filhos, privados da autoridade e da voz firme dos pais, sentem-se desprotegidos e desencorajados a desenvolver sua autonomia”[1]. Embora muitos pais sintam-se desconfortáveis para estabelecer limites fortes e imutáveis em suas casas, esta é uma das grandes maneiras de promover segurança a nossos filhos.

ESTABELEÇA LIMITES

O respeito anda de mãos dadas com os limites. Se os limites não estiverem claros para nossos filhos, provavelmente nossos filhos não conseguirão desenvolver o respeito. Até por que o respeito é algo que se refere ao próprio indivíduo e também aos outros. Se eu não souber quais são os meus limites, eu mesmo não me respeitarei e dificilmente respeitarei o próximo. Entretanto, a não-colocação de limites pode ser prova de “descompromisso em relação aos filhos e ao futuro do mundo, já que o não-desenvolvimento de responsabilidade em relação a si e ao outro, aponta para o desmoronamento das mínimas condições de vida grupal. Caso isso não aconteça na família, como será o desenvolvimento do sujeito (…)[2]?

Estas são lições que precisam ser ensinadas e aprendidas na infância. A criança que cresce com a noção errada de que pode tudo, que se chorar ganha tudo o que quer, que nunca ouve NÃO, apresentará maiores dificuldades em aprender que a vida tem limites, as pessoas têm limites e que ela nunca conseguirá ter tudo o que deseja. Ela dificilmente aprenderá a respeitar a si mesma e ao outro se isto não lhe for ensinado na infância. Embora o ensino sobre limites deva ser transmitido à criança com autoridade e firmeza, devem ser acompanhadas de atitudes de amor e afetividade.

De acordo com Cris Poli, “embora pareça negativa a idéia de limitação, na realidade, anda de mãos dadas com o conceito de amor. Ninguém duvida de que os pais têm amor pelos filhos – e é exatamente por amar suas crianças que eles devem impor limites a elas”[3]. É exatamente por amor aos filhos, que os pais precisam estabelecer e ensinar a importância dos limites. Filhos educados sem a imposição de limites, estão sendo preparados para um mundo fictício onde não há regras e onde todas as suas vontades são realizadas.

Segundo Furtado (2009), para se estabelecer limites seguros para nossos filhos “devemos começar acreditando que, em muitas situações, não percebemos o quanto as nossas crianças e adolescentes precisam de alguém que os ame o suficiente para dizer não. Alguém que, mesmo sem absoluta certeza, mas com um mínimo de adequação e coerência, acredite, se culpas ou remorsos, que, naquele momento, a criança e o adolescente têm que parar. Esta será uma atitude difícil, com um alto preço emocional, mas será, antes de tudo, uma atitude de que ‘se importa’ com o outro”[4]. Isto demonstra, que limites são necessários e que, por muitas vezes, ter coragem de dizer não aos nossos filhos, será o melhor presente que poderemos dar-lhes.

  Explique o NÃO para a criança

Independente da idade de seu filho, mostre a ele que você o respeita tanto quanto espera dele o respeito. Isto se demonstra principalmente por meio de explicações do porquê você está restringindo certos desejos ou privilégios a ele.

Muitos pais dizem NÃO e ao serem questionados simplesmente respondem: “porque não” ou “porque é assim que eu quero”. Estas respostas podem resolver a situação momentânea e aparentemente, em consequência da imposição dos pais, mas isto não demonstra nem gera confiança e respeito.

Nunca perca uma oportunidade de explicar a seu filho o porquê de um NÃO, independente da idade. Por exemplo: uma criança que acabou de começar a andar pode desejar deslocar-se até a tomada da parede e colocar seu dedinho naqueles buraquinhos tão charmosinhos. Neste momento você pode apenas dizer-lhe: NÃO. Mas pode aproveitar esta oportunidade para impor limites e ensinar-lhe respeito. Então, diga algo como: Você não pode colocar seu dedinho nestes buraquinhos porque você vai se machucar e eu não quero meu bebê com um dodói no dedinho.

Percebe a diferença? A segunda maneira, também disse um NÃO, mas com afeto e ensinando limites e respeito. Evidentemente que isto dá mais trabalho, exige mais presença dos pais e até abre canal para contestação quando eles são maiores, entretanto, a longo prazo, os benefícios são maiores, pois você não estará apenas adestrando comportamentos, você estará moldando.

“Faça o que eu fala e….”

Há pais que, frente a uma mesma atitude dos filhos, num dia eles gritam, noutro batem, noutro não fazem nada. Isto transmite insegurança aos filhos e não firma o respeito. Os pais devem ser coerentes e agir da mesma forma sem variarem suas atitudes a depender do lugar ou do humor.

Os comportamentos inadequados de nossos filhos sempre devem ser corrigidos da mesma forma, estando nós cansados, deprimidos, estressados ou não. Quando não somos constantes em nosso procedimento eles irão nos testar para verificar até onde podem tomar a rédea da situação, e esta inconstância transmitida aos filhos gera desrespeito aos pais.

Um outro aspecto importante a ser considerado é que nossos filhos precisam ver em nós coerência entre o que falamos e o que nós mesmos praticamos. “Os jovens formam importante parte de sua personalidade através de identificações com os modelos oferecidos pela família e pela escola. O grupo e a mídia também influenciarão, mas sofrerão uma maior crítica daqueles receptores que tiverem internalizado modelos coerentemente estabelecidos e, especialmente, alicerçados em um afeto genuíno”[5]. Portanto, a coerência em nosso discurso e em nossas práticas diárias são preponderantes para a formação de nossos filhos.

DICAS DE OURO no trato com os filhos

1.     Não tenha medo de seus filhos. Eles é quem devem te respeitar;

2.     Não sofra ao dizer NÃO para eles. A vida é cheia de negativas;

3.     Estabeleça limites para os filhos. Isto os tornará adultos responsáveis;

4.     Compreenda que os limites, o “não” e a disciplina são formas de demonstrar amor aos seus filhos e não de punição;

5.     Faça atividades lúdicas com toda a família em pelo menos 1 dia da semana;

6.     Evite terminantemente levar trabalho para casa. Este lugar é para a família e não para o trabalho;

7.     Estabeleça e cumpra fielmente uma rotina em casa, com horários para as brincadeiras, os passeios e as tarefas da escola;

8.     Controle o que as crianças veem na TV, os games e o uso da Internet. Saber a classificação de cada programa, assisti-los e conhecer os personagens são deveres dos pais;

9.     Seja um bom exemplo para seus filhos: demonstre organização e segurança e nunca faça uso de palavrões na presença de seus filhos;

10. Envolva seus filhos nas tarefas domésticas. Isso os ensinará a ter noções de responsabilidade, além de deixá-los mais calmos e felizes.

 

[1] FURTADO, N. R. Limites: entre o prazer de dizer sim e o dever de dizer não. Porto Alegre: Artmed, 2009, p. 18.

[2] PEREIRA, G. A. Limites e afetividade. Canoas: ULBRA, 2004, p. 100.

[3] [3] POLI, C. Pais separados, filhos preparados. São Paulo: Gente, 2007, p. 119.

[4] FURTADO, N. R. Limites: entre o prazer de dizer sim e o dever de dizer não. Porto Alegre: Artmed, 2009, p. 14.

[5] FURTADO, N. R. Limites: entre o prazer de dizer sim e o dever de dizer não. Porto Alegre: Artmed, 2009, p. 14.

Wélida Dancini

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